SITUAÇÃO GEOGRÁFICA:

Região: Triângulo Mineiro

Clima : Quente  e úmido                                                                         

Vegetação : Mata nativa

Área : 289,10 km2

Terras : Plana massapé roxa

Latitude : 18,24.55"-S

Longitude: 49,12.43" -W

Altitude: 520 m acima do nível do mar

 

Localização: Margens esquerda do Rio Paranaíba, na junção das rodovias BR 153 e BR 452

Ponto Turístico: Lago da Usina Hidrelétrica de Itumbiara.

Aniversário da cidade : 27 de abril

 

Limites : Ao norte - Itumbiara -GO

              Ao sul - Centralina-MG e Monte Alegre de Minas

              A leste - Tupaciguara-MG

 

Global Teamwork Holding Hands - PowerPoint Animation

Nossa história

 Araporã  Araporã na linguagem indígena é “Nascer do Sol”.        

 

Minas Gerias - MG
Histórico
 
João Batista da Costa e sua esposa Maria Rosa Batista, foram os primeiros moradores do
local, em uma fazenda chamada Córquinho. Ali surgiu a Companhia Mineira Auto Viação
Intermunicipal, famosa pelo endenho de pinga da Caninha Alvorada ou Caninha para Tudo.
Mudou o nome para para Alvorada e o distrito de Tupaciguara.
 
Origem do Topônimo:
Padroeira – Nossa Senhora da Gui.
 
Gentílico: araporense
Formação Adminstrativa
 
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, figura no município de Abadia do Bom
Sucesso o distrito de Mato Grosso.
Pela lei estadual nº 556, de 30-08-1911, o distrito de Mato Grosso deixa de pertencer ao
município de Abadia do Bom Sucesso para ser anexado ao novo município de Monte Alegre.
Nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de 1-IX-1920, o distrito de Mato Grosso
volta a pertencer ao município de Abadia do Bom Sucesso.
Pela lei estadual nº 843, de 07-09-1923, o município de Abadia do Bom Sucesso passou a
denominar-se Tupaciguara.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o distrito de Mato Grosso figura no
município de Tapaciguara.
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937.
Pelo decreto lei estadual nº 148, de 17-03-1938, o distrito de Mato Grosso passou a
denominar-se Araporã.
No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o distrito de Araporã figura no
município de Tupaciguara.
Em divisão territorial datada de I-VII-1960, o distrito de Araporã permanece no município
de Tupaciguara
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1988.
Elevado à categoria de município com a denominação de Araporã, pela lei estadual nº
10704, de 27 de abril de 1992, desmembrado de Tupaciguara. Sede no antigo distrito de Araporã.
Constituído do distrito sede. Instalado em 01-01-1993.
Em divisão territorial datada de 2003, o município é constituído do distrito sede.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.
 
Alteração toponímica distrital
 
Mato Grosso para Araporã, alterado pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17-03-1938.
 
Transferência distrital
 
Pela lei estadual nº 556, de 30-08-1911, transfere o distrito de Mato Grosso do município de Abadia
do Bom Sucesso para o de Monte Alegre.
 
Transferência distrital
 
Pela lei estadual nº 556, de 30-08-1911, transfere o distrito de Mato Grosso do município de Abadia
do Bom Sucesso para o de Monte Alegre.
Nos quadros de Apuração do recenseamento geral de I-IX-1920, o distrito de Mato Grosso volta a
pertencer ao município de Abadia do Bom Sucesso.
Pelo decreto-lei estadual nº 843, de 07-09-1923, transfere o distrito de Mato Grosso do município de
Abadia do Bom Sucesso para o de Tupaciguara.

Muitos podem até discordarem do primeiro nome de nossa cidade, mas o que muito me chamou a atenção para este nome, foi uma ligação de outros fatos históricos também ligados com a cidade de Monte Alergre de Minas, pois se Araporã já pertenceu a este município historicamente, nada mais justo então, ligar os fatos ocorridos e juntarmos todos as pedras deste quebra cabeça.

Por que Mato Grosso? Para quem não sabe ou nunca pesquisou, Monte Alegre de Minas e Campo Grande capital do Mato Grosso do Sul, historicamente são unidas pela história e pelos símbolos.

Separadas por 892 quilômetros, Monte Alegre no centro do Triângulo Mineiro, e Campo Grande, Capital de Mato Grosso do Sul, situada na região central do Estado, estão unidas por coincidências históricas e simbólicas.


HISTÓRIA

MONTE ALEGRE

CAMPO GRANDE

Fundação do Povoado de São Francisco das Chagas do Monte Alegre:

Fundação do Arraial de Santo Antônio do Campo Grande:

• Os fundadores de ambas as cidades procuravam terras devolutas para se estabelecerem na agricultura e pecuária.

• Seguiram trilhas abertas anteriormente por outros desbravadores: os que fundaram Monte Alegre, por rotas que levavam aos sertões de Goiás; os que fundaram Campo Grande, por caminhos percorridos pelos retirantes da Laguna, que levavam ao Campo Grande e à Vacaria.

"No começo do Século XIX, uma numerosa família mineira, cujo chefe era Martins Pereira, na tentativa de apossar-se de terras devolutas no sertão de Goiás, empreendeu viagem de mudança para aquelas plagas inóspitas, seguindo corajosamente a caravana dos aventureiros por um caminho aberto que ligava parte da Capitania das "Minas Gerais" às terras goianas (...)" (1)

"José Antônio Pereira (...) Natural de Minas Gerais, residente na cidade de Monte Alegre, empreendeu sua primeira viagem rumo ao sul de Mato Grosso (...) Tendo notícia da Vacaria, com suas vastas campinas, formou uma comitiva (...) Em fins de março de 1872, partiu de Minas (...) a pequena caravana, trilhando os caminhos deixados pelos nossos soldados que combateram os invasores do território brasileiro, na Guerra do Paraguai." (2)

• Durante a viagem defrontaram-se com problemas de doença, obrigando-os interromperem a marcha.

• Promessas de construção de igrejas foram feitas aos Santos de suas devoções, caso as pessoas lograssem a cura: dos fundadores de Monte Alegre a São Francisco das Chagas, dos de Campo Grande a Santo Antônio.

"Quando a caravana alcançava o ponto do caminho onde fica hoje a cidade, adoeceu gravemente um dos seus membros, motivando essa fatalidade uma parada obrigatória de alguns meses na localidade." (1)

"Quando, de mudança, passando por Santana de Paranaíba, foi obrigado a interromper por alguns meses sua viagem, em virtude da malária que grassava naquela população (...) lá permaneceu o tempo suficiente para debelar a epidemia, salvando muitas vidas (...)" (2)

"fervorosos devotos que eram de São Francisco das Chagas, o chefe da família fez então uma promessa ao Santo, de doar naquela localidade um terreno para o patrimônio de uma Capela, que ali seria edificada em seu louvor, caso o doente recebesse o milagre da cura." (1)

"Foi ali que José Antonio, devoto de Santo Antonio de Pádua, fizera um voto se não perdesse um só dos seus, quando aqui chegasse, faria uma Igreja para seu Santo amigo, cuja imagem já trazia em sua companhia." (2)

• Os fundadores de ambas as cidades escolheram a região da confluência de dois córregos para se estabelecerem e ali construírem o arraial: Monte Alegre surgiu entre os córregos "Monte Alegre" e "Maria Elias" e Campo Grande entre os córregos "Prosa" e "Segredo".

• As primeiras moradias foram ranchos cobertos de folhas de buriti ao longo das primeiras ruelas dos arraiais em formação: Monte Alegre, às margens dos córregos "Monte Alegre" e "Maria Elias" e Campo Grande, ao longo do córrego "Prosa", na antiga "Rua Velha" (atual 26 de Agosto).

"Esses primeiros povoadores do arraial em formação, abrigaram-se em humildes ranchos, construídos na sua maioria de madeira, capim e palha de buriti, em ruelas abertas a margem dos córregos 'Monte Alegre' e 'Maria Elias' (...) (1)

"A comitiva, após três meses de caminhada, chega a 21 de junho, à confluência de dois córregos, mais tarde denominados 'Prosa' e 'Segredo' (...) Enquanto descansam, fazem rancho coberto de folhas de buriti (...)" (2)

"Na extremidade do triângulo formado pela confluência desses veios de água, traçaram as primeiras ruas da futura cidade, a quadra para a necrópole e praça onde foi erguida a Capela de São Francisco das Chagas, o Padroeiro da Povoação." (1)

"José Antônio Pereira, traçando os limites do povoado nascente denominou-o Santo Antônio do Campo Grande (...) Nos anos seguintes, isto é, em 1876 e 1877, José Antônio Pereira deu cumprimento à promessa, construindo uma igrejinha de pau-à-pique, coberta de telhas transportadas do abandonado Camapuã" (2)

• Impressionante é a coincidência entre alguns nomes e sobrenomes: a família de Antônio Luis Pereira (portanto, de José Antônio Pereira) foi uma das fundadoras de Monte Alegre. O filho de José Antônio mudou-se definitivamente daquela cidade, para vir estabelecer-se, com quase todos os seus, no Campo Grande, em 1875, quando tinha 21 anos de idade. Seus netos, ainda vivos, contam que Antônio Luiz deixou lá inúmeros amigos.

• Além do sobrenome Pereira, é notável a presença de outros, como os Gonçalves, Martins e Cardosos, nos resumos históricos sobre Monte Alegre.

"Com a junção já de outros aventureiros que seguiram o mesmo itinerário, formaram uma agregação as famílias de Antônio Luis Pereira, Gonçalves da Costa, Martins de Sá, Manoel Feliz e Cardosos." (1)

"Para surpresa de Manoel Olivério, em 14 de agosto do mesmo ano de 1875, chega José Antônio a frente de numerosa caravana composta de onze carros mineiros (...) fazendo-se acompanhar também de sua esposa Maria Carolina de Oliveira, seus filhos Joaquim Antônio, Antônio Luiz (...) o genro Manoel Gonçalves (...) num total de 62 pessoas."

"Ainda em 1878, José Antônio Pereira, volta pela última vez à sua terra natal, naturalmente para liquidar alguns negócios e trazer o seu genro Antonio Gonçalves que também tinha sua filha Maria Joaquina casada com Tomé Martins Cardoso (...)" (2)

MONTE ALEGRE, CAMPO GRANDE E OS HERÓIS DA LAGUNA

• Visconde de Taunay (Alfredo d'Escragnolle-Taunay), autor de "A Retirada da Laguna", descreveu, em suas obras, a passagem por Monte Alegre, do corpo do exército brasileiro que combateu na Guerra do Paraguai.

• Após a Retirada da Laguna, Taunay, em seu retorno à Côrte, no Rio de Janeiro, seguiu uma rota que passava por uma região situada no centro do território sul-matogrossense, a região do Campo Grande.

• Muitos dos retirantes da Laguna, oriundos de Monte Alegre, souberam desse trajeto de retorno, da região do Aquidauana, pelo Campo Grande através da encruzilhada de Nioac até Camapuã. Daí rumando para leste na direção de Minas Gerais.

• Esses heróis, ao chegarem a Monte Alegre, comentaram sobre as regiões do Campo Grande e da Vacaria, a moradores da cidade, entre eles, José Antônio Pereira.

• Acyr Vaz Guimarães em "Seiscentas Léguas a Pé" (3) nos conta a saga dos soldados brasileiros desde a formação do corpo de exército, o percurso passando por Monte Alegre, até a região da Laguna e o retorno às plagas brasileiras.

• Alaor Guimarães Mendonça muito escreveu sobre a participação dos soldados mineiros na Guerra do Paraguai, heróis da Retirada da Laguna, especialmente sobre aqueles que pereceram acometidos de varíola e foram sepultados no "Cemitério dos Bexiguentos". (5)

"A 14 (de setembro de 1865)*, passou o Lajeadinho, o Babilônia, o Ana Correia e o da Mata, para entrar no arraial de Monte Alegre, onde chegou às onze horas (...)"

"Monte Alegre, em 1865, era um arraial com uma população entre quatrocentos e quinhentos habitantes, contando com algumas casas caiadas e cobertas com telhas. Em pequena praça rodeada de ranchos, levantava-se a matriz. Seu comércio era pequeno e devido ao movimento de tropas que vinham ou iam para Goiás e Mato Grosso." (3)

"Uma légua mais entramos no Campo Grande. Esta extensa campina constitui vastíssimo chapadão de mais de cinquenta léguas de extensão, em que raras árvores rompem a monotonia duma planura sem fim (...) Duas léguas além fomos às Botas (...) Límpido ribeirão corre aí no encontro de dois abaulados outeiros (...)" [ribeirão das Botas, divisa do Município de Campo Grande com o de Jaraguarí]* (4)

Foram os heróis da Laguna que levaram ao Triângulo Mineiro, principalmente a Monte Alegre de Minas, notícias de extensas campinas no centro da região sul da Província de Mato Grosso, o Campo Grande e a Vacaria, despertando no espírito desbravador de José Antônio Pereira o desejo de ocupar estas plagas, culminando com a fundação do Arraial de Santo Antônio do Campo Grande.

SÍMBOLOS

AS BANDEIRAS DE MONTE ALEGRE, CAMPO GRANDE E MATO GROSSO DO SUL

• As bandeiras de Monte Alegre, Campo Grande e Mato Grosso do Sul estão ligadas por impressionantes semelhanças, as quais, saltam aos olhos à observação imediata.

A Bandeira de Monte Alegre, concebida por Amintes Nunes de Moura, foi escolhida em 7 de Setembro de 1975 e oficializada em 4 de Fevereiro de 1991 pelo Prefeito Municipal Euripedes Lima Andreani pelo Decreto 2275 de 4 de Fevereiro daquele ano.





A Bandeira de Campo Grande foi oficializada no ano de 1967.


 

No ângulo superior-esquerdo da Bandeira de Monte Alegre há um emblema que muito se assemelha à Bandeira de Mato Grosso do Sul.

A Bandeira do Estado de Mato Grosso do Sul, foi concebida e desenhada por Mauro Miguel Munhoz e oficializada em 1977.

 Analizando todos esse fatos históricos, nota-se que estamos na rota dos bandeirantes que desbravaram os sertões . Certamente nas idas e vindas destes desbravadores, trouxeram consigo a admirarção por Mato Grosso, dando então a essa região o referido  nome em homenagem a provincia de Mato Grosso.

 

 

A REVOLUÇÃO DE 1930.

 Esta parte da história, pouca gente sabe, mas a nossa Araporã, antiga Alvorada tem um lugar privilegiado na história do Brasil.

Aqui nas barrancas do Rio Paranaíba, cravada trincheira, onde os mineiros revolucionários a favor de Getúlio Vargas cercaram as tropas goianas que apaoiavam o então presiente da república Washinton Luiz. O Brasil passavam por um período onde predominava a política chamada café com leite, onde as oligarquias paulistas e e mineiras alternavam no poder. Mas contra todos, coube a união de três estados, Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul sob o comando de Getúlio Vargas a derrubada do então presidente.

Às margens do rio Paranaíba, mineiros e goianos se confrontaram na Revolução de 1930. Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul apoiavam Getúlio Vargas na tentativa bem-sucedida de depor o presidente Washington Luís. O Triângulo Mineiro ficava entre dois estados inimigos, São Paulo e Goiás. As tropas voluntárias mineiras, em menor número, enfrentavam com espingardas winchester os soldados goianos, famosos pela excelente pontaria, e armados com fuzis. 
 

No meio de toda esta história, entra um artefato bélico produzido de última hora pelo então pelo então imigrante italiano que morava na cidade de Uberabinha, hoje Uberlândia Sr. Cesário Crossara, o qual tinha uma fundição , um "canhão", o qual foi batizado de "Emílio"

 Um canhão, dois tiros e muita história

Armamento usado na guerrilha na divisa de Minas com Goiás foi fabricado em Uberlândia por Cesário Crosara

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

   Mas dois tiros do canhão “Emílio” ajudaram a alterar essa desigualdade numérica e de arsenal no fronte de batalha no rio Paranaíba. “O primeiro tiro para acertar a mira atingiu a igreja de Itumbiara. Itumbiara chamava Santa Rita do Paranaíba e a igreja era de Santa Rita dos Impossíveis ou dos Milagres. O tiro derrubou uma das duas torres da igreja. E o segundo tiro acertou o cabo de aço da ponte pênsil. A ponte arriou e o pessoal de Goiás levantou bandeira branca”, disse o engenheiro Rugles Crosara, 77 anos, um dos sete filhos ainda vivos de Cesário Crosara.

Engenhosidade italiana

Rugles Crosara é um dos sete filhos ainda
vivos de Cesário Crosara

O canhão “Emílio”, na verdade, era uma espécie de morteiro, fabricado com materiais improvisados e com a engenhosidade do italiano Cesário Crosara. Os Crosaras possuíam uma fundição e fábrica de máquinas e equipamentos para lavouras, montada em 1927, onde hoje é a avenida João Pessoa, em frente ao Terminal Central. 

“Meu pai morou comigo até morrer, eu tinha a curiosidade de sempre ficar perguntando sobre a fabricação do canhão. Nas avenidas de Uberlândia havia postes de aço. Eram mais grossos e depois afinavam. O poste para fabricar o morteiro foi retirado de um local em frente ao Colégio Estadual Ginásio Mineiro, onde hoje é o Museu,”, disse Rugles Crosara, que nasceria cerca de dois anos após o encerramento do conflito na divisa com Goiás. 

O poste seria só o primeiro elemento improvisado para a construção do armamento. “O papai pegou um tubo de oxigênio, ele era agente da White Martins, serrou e colocou o tubo de aço dentro do outro e encheu de chumbo para fazer um lastro, porque senão, quando a bala saísse, o canhão poderia ser jogado para trás”, disse o filho do inventor. Como não havia chumbo ou estanho suficiente para ser inserido na culatra do canhão, o capitão José Percival, que comandava militarmente as tropas revolucionárias no Triângulo Mineiro, requisitou os metais das tipografias uberlandenses. 
 

 

Projéteis precisavam atravessar o rio


Antes de seguir de caminhão até a frente de batalha na ponte Afonso Pena, divisa de Minas Gerais com Goiás, na localidade ainda denominada de Alvorada, atualmente Araporã, o canhão “Emílio” foi testado em Uberlândia, na região onde hoje fica o bairro Roosevelt. 

Os testes serviam para verificar a pontaria e a capacidade de lançar as balas. O rio tinha cerca de 400 metros de largura e a distância entre os acampamentos goiano e mineiro era de aproximadamente 600 metros. 
Antes de Cesário Crosara construir o canhão, os militares pensaram em utilizar uma espécie de catapulta para atingir as tropas inimigas do outro lado do rio. “Eles queriam fazer uma atiradeira com pneu de trator, mas não alcançava esta distância (600 metros)”, disse Rugles Crosara. 
 

Um projétil disparado e 2 tiros ouvidos


Mariana Crosara, filha de Rugles Crosara,
em visita o acervo onde está o canhão do
avô

 Uma das curiosidades do canhão “Emílio” contada pelo engenheiro Rugles Crosara, um dos filhos de Cesário Crosara, inventor do armamento, é que o canhão disparava um projétil, mas se escutavam dois tiros. “Os goianos ficavam impressionados. Porque todo canhão dá só um tiro, mas esse dava dois tiros, porque o primeiro era da pólvora que estava dentro para empurrar a dinamite”, disse Crosara. ”As balas foram feitas usando lata de soda, igual lata de leite em pó. Furava a tampa e colocava dinamite, em volta da latinha colocava grampo de cerca, prego, parafuso ou pedaço de chapa cortado para estilhaçar.” 

Rugles Crosara não sabe ao certo a razão de o canhão ter sido batizado como “Emílio”, mas tem um palpite. “O segundo filho do papai chamava-se Emílio Valentim.”

 

Peça passou por vários museus


Encerrada a Revolução de 1930, o canhão “Emílio” foi levado para Juiz Fora, na Zona da Mata, sede das forças revolucionárias em Minas Gerais. A história do armamento é cheia de idas e vindas. Segundo o livro “Araporã, Terra da Esperança”, da escritora Maria Honório de Castro, o canhão foi incorporado ao Museu de Belo Horizonte, depois ficou exposto por um período na entrada do Museu do Ipiranga, em São Paulo (SP), antes de ser anexado ao acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. No museu carioca, a peça foi registrada, inicialmente, como sendo oriunda de Juiz de Fora. 

Em 1997, com a ajuda de colaboradores, a origem do canhão foi revisada no registro do museu. No entanto, por um lapso na documentação apresentada, a autoria da peça foi atribuída ao filho de Cesário Crosara, Pacífico Crosara, que, na época da fabricação, tinha 20 e poucos anos. “Meu irmão deu a ideia de colocar uma espécie de gatilho para não precisar usar o rastilho com pólvora. Mas não houve tempo para isso”, disse Rugles Crosara. 

De acordo com o chefe da Reserva Técnica do Museu Histórico Nacional, Jorge Cordeiro, a retificação no registro pode ser realizada com a comprovação documental da autoria da peça. “O museu está sempre aberto para estas retificações, porque as nossas pesquisas não são fechadas. Hoje no registro consta na fabricação somente Minas Gerais. O acervo passou por um novo inventário há cerca de quatro anos”, afirmou Cordeiro. 

 

Produtor do canhão “Emílio” nasceu na região de Veneza

Cesário Crosara mudou-se para Uberlândia
em 1925 e faleceu em 1969

Nome de avenida no bairro Roosevelt, região norte de Uberlândia, Cesário Crosara chegou à região do Triângulo Mineiro em 1894, quando a família adquiriu uma propriedade em Sacramento. Mas antes de chegar ao Brasil e, posteriormente a Uberlândia, Crosara passou a infância e juventude na Itália. Batizado na “Velha Bota”, como Crosara Cesare Giovanni Giacomo, nasceu em 9/12/1869, na cidade de Gambarare, hoje Mira, na província de Veneza. 

A tradição militar também teve início na Itália. O pai de Cesário, Virgilio Giovanni Crosara, resolveu partir para o Brasil com a família diante das dificuldades vividas na Itália no fim do século 19, mas Cesário foi sorteado para o serviço militar obrigatório italiano. O pai retornaria para buscá-lo no fim de 1889. 

No ano seguinte, Cesário Crosara já trabalhava numa fazenda cafeeira perto de Ribeirão Preto (SP), onde rapidamente passou a administrador, por dominar a língua italiana, além de sete dialetos de Veneto, e ter bom conhecimento de francês. Era o perfil ideal para lidar com a leva de imigrantes italianos que chegava aos cafezais paulistas. 

Em meados de 1925, mudou-se para Uberlândia para montar uma oficina mecânica instalada ao lado da E. E. de Uberlândia. Com uma vida marcada por intensa atividade produtiva na fundição de onde saiu o canhão “Emílio”, Cesário Crosara também produzia equipamentos agrícolas, premiados em feiras brasileiras. 

Prestes a completar 100 anos, Cesário Crosara faleceu em Uberlândia no dia 15/9/1969. Todos os registros da família fazem parte do acervo do engenheiro Rugles Crosara. “O papai teve 26 filhos, sendo 14 do primeiro casamento. E 12 do segundo. Hoje somos sete. Ainda tenho uma irmã viva do primeiro casamento dele”, disse Rugles Crosara.


Estrutura da antiga ponte Afonso Pena, atingida por um dos tiros do canhão “Emílio